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08 dezembro 2014

Pequenas pérolas de Persépolis, livro, II

E dado que eu tive um pequeno percalço informático e estou neste momento sem acesso às minhas fotografias do Irão, porque não continuar com a questão do uso do véu através da Marjane Satrapi? É que é uma questão que continua a dividir o Irão...



05 dezembro 2014

Pequenas pérolas de Persépolis, livro, I

E já que estamos numa de mulheres e direitos das mulheres, porque não uma pequena pérola do livro Persépolis? Não conhecem? Pois deviam! É uma autobiografia ilustrada de uma mulher que nasceu no Irão em 1970, Marjane Satrapi. E vale mesmo a pena ler...



15 junho 2014

Confessar o inconfessável

Tenho que confessar o inconfessável. Nunca tinha lido Saramago. Até há uns meses atrás. Quando finalmente peguei no "Memorial do Convento". E já não fui capaz de despegar do Baltasar Sete-Sóis e da Blimunda Sete-Luas, nem do Padre Bartolomeu e da sua Passarola movida a vontades. Uma viagem a Portugal, por terra e pelo ar. Mas sobretudo, uma viagem a uma Lisboa de outros tempos. Uma Lisboa de autos-de-fé em praça pública (nunca mais vou ser capaz de olhar para o Largo de São Domingos da mesma forma...), uma Lisboa pré-terramoto, de excrementos e lixo, de cheiro a podridão. Uma Lisboa de pobreza extrema, que apesar de tudo já não conhecemos...

23 abril 2014

A coisa à volta do teu pescoço

Depois dos livros anteriores, Chimamanda Ngozi Adichie (sim, vou continuar a repetir o nome dela, hei-de acabar por conseguir decorá-lo!) oferece-nos doze histórias. De doze mulheres nigerianas, entre a Nigéria e os Estados Unidos da América. Uma verdadeira homenagem à mulher africana. E um tema omnipresente: a exploração sexual da mulher, ou a exploração da mulher através do sexo, para usar uma expressão menos forte; questão com que quase todas se defrontam, num qualquer momento das suas vidas, retratadas nestas histórias...



15 abril 2014

A cor do hibisco

Antes do premiado Meio Sol Amarelo, Chimamanda Ngozi Adichie estreou-se com uma história nua e crua sobre a repressão no meio familiar. Não é uma história sobre violência doméstica. É uma história sobre um pai de uma rigidez tal, que chega a pôr em causa a vida dos filhos (para não falar da vida da mulher). Pelos olhos da filha, pré-adolescente. Kambili não nos agarra como as cinco personagens de Meio Sol Amarelo. Mas o seu olhar sobre um estranho mundo de risos faz-nos pensar...



07 abril 2014

Meio Sol Amarelo

Ler Chimamanda Ngozi Adichie é levar um soco no estômago. Enquanto se viaja pelo território de um dos maiores países africanos, a Nigéria. E pela história do país do meio sol amarelo, o Biafra. É perceber como a divisão entre haúças muçulmanos e igbos cristãos deu origem a uma guerra civil que matou, em motins e à fome, milhares e milhares de pessoas. Enquanto se acompanha o percurso de Ugwu, Odenigbo, Olanna, Kainene e Richard. E se entra de tal forma nas suas vidas que, capítulo após capítulo, o equilíbrio entre a (boa) vontade de ler mais e a (má) perspectiva de chegar ao fim se torna difícil...



19 março 2014

Vai, Brasil

E depois de ler o Caderno Afegão e o Viva México, não podia deixar de ficar impaciente à espera do seguinte. Nas palavras de apresentação do livro: "A Alexandra jornalista atravessa o livro fazendo entrevistas, perfis, apresentando dados, conferindo tudo in loco; a Alexandra escritora narra e amarra, ilumina experiências e pessoas (...), confunde trabalho e vida, e está sempre a procurar, naquele, esta, ou melhor, seu sumo: a verdadeira vida". Nas minhas palavras, um livro que não tem a crueza dos outros, um livro mais ao jeito de "livro de viagens". Apesar de ser de um entrosamento na cultura brasileira como nenhum dos anteriores foi nas respectivas culturas. Tenho que confessar que demorei a pegar, mais do que em qualquer um dos anteriores. Mas quando peguei...



15 março 2014

Viva México

Depois de ler o Caderno Afegão, não podia passar sem ler o que veio a seguir. Nas palavras de apresentação do livro: "Alexandra Lucas Coelho percorre o país de Zapata, um século depois da revolução, e indigna-se, aflige-se, comove-se, ri e chora e faz-nos participar de tudo isso. Nós vamos com ela e como ela, ao lado dela, não somos turistas, somos viajantes. Imunes ao pecado mortal da indiferença". Nas minhas palavras, mais um "livro de viagens" de uma crueza sem igual. Viajantes ou não, não há indiferença que resista à ideia de uma violência tão enraízada que nos faz sair de casa sem saber se voltamos, vivos...



11 março 2014

Caderno Afegão

Para mim, a descoberta de Alexandra Lucas Coelho. Nas palavras de apresentação do livro: "Aquilo que aqui, a ocidente, é apenas um borrão sem nome, uma massa de ideias vagas e de lugares-comuns, toma neste livro a forma de gente concreta, ganha contornos, espessura, rosto. O facto de Alexandra Lucas Coelho escrever tão bem faz o resto. É o meio de transporte em que viajamos por um lugar aonde, é quase certo, nunca iríamos de outro modo". Nas minhas palavras, um "livro de viagens" de uma crueza sem igual. Já o li há algum tempo, mas o capítulo sobre o hospital da Cruz Vermelha em Kandahar, o hospital das "mães que andaram anos com o útero de fora", ficará para sempre na minha memória...




PS: Mesmo sem ter lido o livro, vale a pena espreitar as fotografias: www.cadernoafegao.tintadachina.pt.

26 setembro 2009

A outra meia dúzia

"Esta estranha terra", do escritor indonésio Pramoedya Ananta Toer, um forte candidato ao Prémio Nobel. Nunca tinha lido nada dele, aliás, acho que nunca tinha lido nada de um escritor indonésio. E este livro é a prova viva de como ler é viajar e conhecer outros mundos. É tão diferente que dei por mim a resistir aos primeiros capítulos. Até me embrenhar totalmente na Indonésia do século XIX, ainda colónia holandesa, com todas as suas clivagens étnicas e sociais. Muito bom. Fica a vontade de ler outros livros do mesmo autor.

"A Madona", da nossa Natália Correia. Nunca tinha lido nada dela e não sei se comecei pelo melhor livro. Não me prendeu por aí além. O imaginário está um pouco datado, é certo, mas não me parece que seja por isso. Pura e simplesmente, não me prendeu.

"Cosmofobia", da espanhola Lucía Etxebarría. Um livro que se lê de um fôlego, numa imersão no colorido contexto imigrante de Madrid. Pena que a pouco mais de meio, o ponteiro vire para a futilidade de um contexto mais artístico. Bem sei que o bairro madrileno de Lavapiés tem de tudo, mas reservo-me o direito de gostar mais do ambiente multiétnico...

"O tigre branco", do escritor de origem indiana Aravind Adiga. A ascensão social de um rapaz de uma zona rural da Índia, contada em forma de cartas ao primeiro-ministro chinês. Um soco no estômago. Não pelas descrições da miséria no país, já recorrentes. Mas pela total e absoluta perda de valores em nome da fuga à miséria...

"A casa dos budas ditosos", o famoso livro do brasileiro João Ubaldo Ribeiro. Tanto tempo à procura do esgotado livro, depois dos tão falados episódios de censura, para isto? Na minha modesta opinião, o livro cansa. Sem querer parecer feminista (e muito menos moralista), é um livro escrito por um homem que acha que sabe como pensa uma mulher. Não tenho nada contra, aliás, tudo a favor. Mas tenho na minha mesa de cabeceira um livro de outra brasileira ("Na cabeceira da cama", Regina Navarro Lins, acho que não está editado em Portugal) que também põe em causa os padrões sexuais, indo até mais longe, mas com muito mais nível.

"Leite derramado", Chico Buarque. Apresentações para quê? A minha imparcialidade em tudo o que diga respeito ao moreno dos olhos d’água é suspeita até mais não! Tudo o que ele faz, faz bem feito. E este livro é mais uma prova disso. Menos depressivo do que as primeiras incursões dele pela escrita (quem não se lembra do "Estorvo"?), é a história de um homem em fim de vida, contada pelo próprio a partir de uma cama de hospital, em simultâneo com o desenrolar da história do Brasil dos últimos dois séculos. Para ler ao som da voz do autor... :-)

24 setembro 2009

Livros às dúzias

"O mundo é um livro e quem não viaja só lê uma página" ou "o mundo é um livro e quem fica sentado em casa lê somente uma página". Encontrei estas duas versões de uma frase de Santo Agostinho. E, como não podia deixar de ser, adorei. Mas continuando numa de metáforas, é possível viajar sentado em casa. É preciso é ler o livro todo... :-)

Isto tudo para falar de livros. Dos livros que li ultimamente. Da última dúzia, para ser mais precisa. E se a memória não me falhar.

A Trilogia do Cairo, do Prémio Nobel egípcio Naguib Mahfouz, composta por 3 volumes: “Entre os Dois Palácios”, “O Palácio do Desejo” e “O Açucareiro”. Vale a pena. Nomeadamente, vale a pena não desistir à vista de alguns excertos mais maçudos no primeiro volume, até entrar de tal forma na história da família Ahmad Abdel el-Gawwad que nos fica a faltar qualquer coisa quando acabamos o terceiro e último volume. A história do Egipto, no período entre as duas guerras mundiais, é mais difícil de acompanhar, mas dá para ficar com umas noções. Muito bom, daqueles livros que ficam na memória.

"Venenos de Deus, Remédios do Diabo", Mia Couto, o abensonhado Mia Couto (suspiro). A já famosa magia com as palavras (tresandarilhos em lugar de loucos...). E um retrato de Moçambique num imaginário particularmente criativo a nível de personagens. Suacelência, a figura política atormentada pelo suor, e a sua Esposinha, são personagens dignas de registo!

"O Quase Fim do Mundo", Pepetela. Se a minha imparcialidade quando se fala de autores africanos é suspeita, imaginem quando esses autores são sociólogos! A história de um punhado de homens e mulheres (e um cão!) que sobrevivem ao fim do mundo algures em África devora-se, com muitas gargalhadas, em poucos dias. Só o final é que deixa um pouco a desejar, fica-se com a sensação que o autor não sabia como acabar...

"Comer, Orar, Amar", Elizabeth Gilbert, EUA. Um pouco de "escrita light", para variar: a (suposta) viagem da autora por Itália (onde come), Índia (onde ora) e Indonésia (onde ama). Um livro para fazer rir qualquer um. E para fazer pensar quem esteja nalguma encruzilhada da vida. Por mim falo, que ainda ando a pensar na letra pela qual vai começar a minha trilogia de países. Aceitam-se sugestões!!!