11 outubro 2008

Rios de Lyon

Lyon tem dois rios: Rhône e Saône. Saône, o mais estreito, separa duas colinas, Fourvière, a "colina que reza", e Croix-Rousse, a "colina que trabalha", assim chamadas pelas várias igrejas e conventos e pelas antigas casas de operários que se espalham por uma e por outra. Rhône, o mais largo, separa estes bairros velhos dos bairros mais modernos. E, atenção, tanto no Rhône como no Saône se podem ver cisnes...


Rio Saône

Rio Rhône

Cisnes aos pares

30 setembro 2008

Fromage em Lyon

Pois é, Lyon. O género de sítio onde eu nunca me lembraria de ir. Mas ainda bem que fui. Gostei! E vim de lá com vontade de por lá ficar. A aprender francês ou pura e simplesmente a passear-me de bicicleta com uma baguette debaixo do braço. Porquê? Porque Lyon é uma cidade simpática. É verdade, eu que nunca tive grande empatia nem com os franceses nem com França em geral, achei Lyon uma cidade simpática.
Simpática porque bonita. Simpática porque luminosa. Simpática porque tranquila. Simpática porque tem bibicletas por todo o lado. Simpática porque por lá se come muito bem. Simpática porque é a capital da região do famoso Beujolais.
Verdade seja dita que do famoso Beaujolais não provei nem pinga. A época dele é a partir da terceira semana de Novembro, logo fui adiantada. Mas provei outros vinhos. Acompanhados de queijos (fromage, desta palavra francesa nunca eu me esqueço!). Valeram-me os passeios de bicicleta, para abater as calorias. Um sistema inovador (consta que já a ser implementado noutras cidades de França) permite que se apanhe uma bicicleta numa ponta da cidade para a deixar em qualquer outro ponto da cidade. Embora, há que dizê-lo com frontalidade, seja preciso tirar 3 licenciaturas, 2 mestrados e 1 doutoramento para perceber o tal sistema...

Cenas dos próximos capítulos em posts que se querem mais frequentes... :-)

30 agosto 2008

E que dizer do porto palafítico da Carrasqueira?

Que é um segredo bem guardado que vale a pena conhecer. Que impressiona pelo engenho humano, presente mesmo nas mais ínfimas condições. E que à falta de conhecimento de causa, faço minhas as palavras da jornalista do DN abaixo.

Lodo no cais palafítico da Carrasqueira, Isabel Lucas
Os chapéus de palha avistam-se ao longe, no verde dos campos de arroz, mas é do mar que chegam aquelas mulheres. Saíram de casa às cinco da manhã e pouco passa das dez quando trocam o barco pela bicicleta e o chapéu pelo capacete. Regressam a casa e deixam na lota uns poucos quilos de amêijoa, chocos ou polvo. Otlinda da Costa, 62 anos, liga o motor da sua Vespa. Vive na casa da "flor cor-de-rosa bonita", mesmo no fim da aldeia quando se vai para o porto. Durante anos fez o caminho a pé. Agora vai "de mota". Elas vão e eles ficam, ajeitando as redes para o outro dia, limpando o barco, levando o peixe à lota. Eles e elas trabalham juntos, quase sempre aos pares, no mesmo barco. Otlinda vai e o marido ficou no cais depois de uma manhã na apanha da amêijoa. "Ele é o mestre e eu sou a camarada", explica. Explica também que uma manhã no mar "é poucochinho" para pagar a outro camarada, e que é por isso que eles andam com elas no porto palafítico da Carrasqueira, no estuário do Sado, bem perto da Comporta.
"Aqui nasci e aqui tenho dado cabo dos ossos", diz Joaquim Bacalhau atando um atrelado à bicicleta. Tem 71 anos e é um dos mestres mais velhos a navegar naquele porto. Nunca teve outra profissão que não a de andar à pesca naquelas águas. Lembra-se de serem "mais ricas", de haver mais peixe, marisco e "até ostras". Marisco já há pouco e as ostras acabaram. Quanto a ele, há muito que desistiu de procurar explicação para tal escassez. "Não sei se é da poluição..."
Joaquim Bacalhau é o dono do Lourdes Josélia, o barco em que navegou toda a manhã, sozinho, que "a mulher já não pode". Apanhou um litro de minhoca e isso valeu-lhe 25 euros. "Vem aqui uma menina buscar para mandar depois para Espanha." Joaquim já andou ao peixe, mas agora só apanha isco para ajudar à reforma. E é quando a maré deixa e o defeso permite. Este ano começou em Abril e há-de ir até Outubro, depois há que esperar mais uns meses, que "isto não é quando a gente quer".
A maré está baixa e os barcos chegam pelos canais que se formam na lama. Têm nomes como Volto Já, Depressa, Carvalhinha, Rainha do Sado. São azuis, amarelos, vermelhos, cor de laranja e dão cor ao cinzento do lodo e à madeira desbotada pelo tempo. Está a regressar o Estrela do Rio, seguido do Anda Pateta. Perto do Sempre com Deus, que está à venda, duas mulheres atravessam o "passadiço" segurando baldes de amêijoa. Foram no barco até à Setenave e acabaram a maré às nove e meia, cada uma com o seu mestre. No Maria Albertina, um homem passa a olho a rede. É Carmindo, pescador a quem o mar rendeu ontem um quilo de choco. "Muito pouco", queixa-se, de cigarro ao canto da boca. Carmindo é de poucas falas, mas deixa no ar mais uma frase como acrescento de desespero: "Abalei de casa às quatro da manhã..." Lamenta-se e vai passando a rede, acendendo um cigarro com o outro que se acaba. Mora na Carrasqueira como todos os outros, muitos na idade da reforma e alguns novos, como os dois rapazes do barco ao lado, o Belinha, ainda solteiros, sem mulher para camarada.
A manhã vai longa e a maré alteando até que vem o Aninhas, arrastando o Criança Sofre. Dirige-se ao seu lugar no porto. Cada pescador tem sítio fixo e compete-lhe manter o acesso em condições. A Câmara de Alcácer do Sal responsabiliza-se pela passagem colectiva, comum a quem atravessa o cais, como explica Leonardo, funcionário da Docapesca há tantos anos na lota quantos ela tem de vida. Já lá vão 22. Nesses anos são cada vez mais os de fora que atravessam o porto. "Aos fins-de-semana isto está cheio de gente, até vêm autocarros", comenta. E tudo para ver a Carrasqueira.
Não há pescador que Leonardo não conheça. Recebe-lhes o peixe a cada dia, pesa-o, paga-lhes o resultado do leilão, que aquela lota é pequena mas funciona como as grandes. Diz que são à volta de 60 e pelas suas contas ainda há barcos por chegar numa altura em que a água já vai cobrindo o lodo. Carmindo pode finalmente levar o barco até ao seu sítio. Já está navegável. Passa por ele um casal de turistas. Espantam-se com o emaranhado de paus, os remendos na madeira, comentam o lixo que a maré vazia revelou. Não reparam no Nova Carrasqueira, o barco mais velho do porto e que há muito deixou de navegar. Vão de mão dada e ela diz-lhe a ele: "Aquilo que se vê nas revistas não é exactamente isto." Carmindo não ouviu.






20 agosto 2008

Canoagem de mar em Sesimbra, recomenda-se!

Alvorada ao domingo, sol radiante em Sesimbra, canoagem em mar calmo, grutas para espreitar, praia (supostamente) deserta para um mergulho gelado, e petiscada em boa companhia. Para esquecer, só mesmo o pequeno deslize aqui da perita em quedas e outros quejandos, daqueles que deixam marcas no fundo das costas... :-( No worry, find Wally! :-)

13 julho 2008

Os banhos! Esqueci-me dos banhos!!!

Os banhos, esquecimento imperdoável! Os banhos húngaros, herança dos turcos. Suposta herança dos turcos, porque os banhos Gellért (os mais famosos e, aparentemente, os mais turísticos) parecem saídos dos tempos soviéticos. O edifício: em obras. O preçário: incompreensível. As funcionárias: nem uma palavra de inglês. Os cacifos: a cair de podres. Enfim, banhos dignos de um filme de terror!
E por falar em terror, uma última curiosidade: antes da 1ª Guerra Mundial, a Transilvânia estava no Império Austro-Húngaro e não na Roménia. Moral da história, o tão famoso Conde Drácula era húngaro… :-)

07 julho 2008

Gulyás e pogácsa

Entre Buda e Peste, no meio do Danúbio, a Ilha Margarida, verde refúgio dos budapestinos e mais um exemplo da clorofila na cidade. Que assim se presta às bicicletas que a percorrem, a qualquer hora do dia ou da noite. Coisas de cidade plana, claro está (mais Peste do que Buda!). Aliás, parece que a Húngria é toda ela uma planície, razão pela qual foi a dada altura o "celeiro" da União Soviética. E por falar em comida (já cá faltava!), lembram-se do Herman nos bons velhos tempos? Paprika, muita paprika? Acho que não há nada que não leve paprika, doce ou picante! Mas a não perder mesmo é o gulyás (goulásh), um guisado de carne típico, daqueles para encher. Devidamente acompanhado de pogácsa (pogátcha), um pão de azeite de ir às lágrimas. Tudo regado a vinho, que entre branco e tinto, diga-se de passagem que é bastante bom...


Ilha Margarida

Paprika, muita paprika

29 junho 2008

Peste

Na outra margem, Peste. Onde tudo acontece. Onde estão os monumentos mais recentes, as grandes praças e as avenidas largas, o trânsito, as lojas, as pessoas, os cães (Budapeste é uma cidade de cães, ao contrário de tantas outras cidades de gatos, como Istambul ou Roma). A não perder: o Parlamento Húngaro, onde não se consegue entrar, tais as filas à porta (e Junho não é época alta!); a Basílica de Santo Estevão, onde se pode ver a mão mumificada do dito (nada comparado com a nossa Capela dos Ossos!); a Grande Sinagoga, a maior da Europa; e o Bairro Judaico, bastante degradado. A propósito de judeus, os húngaros colaboraram com os nazis, tendo denunciado e enviado para campos de concentração um número considerável de judeus no espaço de duas semanas. Ao que parece, e ao contrário dos alemães, ainda não se reconciliaram com esse período negro da sua história...
Mas voltando a Peste, a não perder também a Váci Utca, a Rua Augusta budapestina. E, sobretudo, a não perder o Mercado Central onde ela desemboca. Linhos e casacos de lã, paprika (muita paprika, doce, picante, para todos os gostos!) e tokaji (lê-se tókai), um vinho tipicamente húngaro, licoroso, feito através da adição de uvas podres (soa mal, mas sabe bem!). E jogos, muitos jogos. Sabiam que o Rubik era húngaro? Rubik??? Vá lá, a sério que não vos diz nada? Então, geração de 70? O Rubik foi o criador do cubo mágico!!! Escusado será dizer que comprei um. Onde raio terá ido parar o meu? Só encontro os estrumpfes...
Curiosidade: Budapeste foi a primeira cidade da Europa Continental (ou seja, a primeira depois de Londres) a ter metro. E algumas estações, as primeiras, ainda hoje se mantêm como há cerca de 100 anos atrás, verdadeiramente liliputianas!


Vista sobre Peste

Pormenor do Bairro Judaico

Tocador de "copos" na Váci Utca

Casacos de lã à venda