28 fevereiro 2013

De como o lixo não entra nas casas indianas

Se o lixo é um lugar-comum nas cidades indianas, o contrário é verdadeiro no que diz respeito às casas. Os indianos, aliás como muitos outros povos asiáticos, deixam os sapatos à porta, seja nos templos ou mesquitas, seja nas suas próprias casas. Um hábito de higiene que nós, os "avançados" ocidentais, nunca ganhámos (com a honrosa excepção dos nórdicos, sempre os nórdicos...). E que faz todo o sentido.
Moral da história, e para quem muito se impressiona com o lixo que se vê nas cidades indianas (que é de facto impressionante!), nunca se deve julgar pelas aparências. Ou de como o que conta é o interior e não o exterior...


À falta de sapatos à porta, sapatos numa banca de rua.
E arrumadinha que ela está...

26 fevereiro 2013

De como as aves de rapina enchem os céus da Índia

Já não me lembro se as vi em Mumbai e Nova Deli, cidades movimentadas que nos deixam pouco tempo para olhar para o céu. Mas vi-as na Elephanta Island! E em Jaipur!! E, sobretudo, em Agra, em pleno Taj Mahal!!! Aves de rapina para todos os gostos, desde os nobres falcões e águias, aos malfadados abutres...
Isto dito por uma entendida no assunto, claro está! É que esta que vos escreve sabe identificar aves de rapina, já fez um workshop sobre o assunto!!! Começa-se por avaliar a dimensão, o que nem sempre é fácil, por falta de ponto de comparação no imenso céu. Depois passa-se para a estrutura geral e proporções, avaliando o número de "dedos" (penas que demarcam as pontas das asas) e o tamanho da cabeça em relação ao corpo, por exemplo. Seguem-se a posição das asas e o tipo de vôo, elementos que já podem ajudar a identificar um peneireiro, que tem a capacidade de voar (ou bater as asas) sem sair do mesmo sítio, naquilo que se chama peneirar. Outros elementos, como a plumagem, as vocalizações e o comportamento, também contam na identificação de aves de rapina, mas não foi isso que vos trouxe aqui!
Voltando à Índia, sei que vi abutres e muito provavelmente falcões. E confesso que nunca tinha visto tanta ave de rapina em ambiente urbano. Fiquei a pensar se tal não seria resultado do muito lixo que se encontra nas cidades indianas, que há-de dar origem a muitos pequenos (e apetecíveis!) roedores...


Este não tem asas de falcão. Será uma águia?

Com aqueles dedos, aposto num abutre!

Confirma-se...

Um, dois, e por aí fora...

E em contraluz!

23 fevereiro 2013

Agra turística

Agra é, já me tinham dito, uma cidade profundamente desinteressante. Desagradável até. E no entanto, a abarrotar de turistas. Porquê? Porque é onde vive uma das maravilhas do mundo, o Taj Mahal!
Mas para além do Taj Mahal (que já é muito!), Agra tem pouco que ver. Tem um forte, um exemplo de arquitectura mogul, mas o ataque ao turista é tal, que não apetece ir lá. Aliás, foi a única cidade indiana onde me aconteceu uma coisa curiosa: quando cheguei ao hotel, a última coisa que me apetecia era sair outra vez; só queria ficar no quarto e que ninguém me chateasse... Sim, o ataque ao turista é mais ostensivo do que em Jaipur. É sobretudo mais agressivo.
A chegada de comboio não ajuda, a estação é o inferno na terra, taxistas por todo o lado, a meterem-nos à força nos táxis. Não, não estou a exagerar! Mais, aconteceu-me pela primeira vez na vida dar graças a Deus por não ir à janela num comboio. Os arredores da cidade são de uma pobreza a toda a prova, a pobreza mais abjecta que vi na Índia. E sobre este assunto não me vou alongar. Quando se fala sobre viagens, deve falar-se de tudo, do bom ao mau. Mas sobre a pobreza que vi em Agra não me apetece mesmo falar...


A única razão para ir a Agra

21 fevereiro 2013

Cenas de rua, Agra

Nas ruas de Agra, ou de qualquer outra cidade indiana, vê-se de tudo. Bicicletas e motas, com passageiros e mercadorias. Tuk-tuks engalanados. Camiões descarnados. E vacas, muitas. A toda a hora, por todo o lado...







19 fevereiro 2013

Bancas de rua, Jaipur

Bancas de rua. Que vendem de tudo. Fitas para saris. Doces e especiarias para todos os gostos. Tintas em pó. Será? Não sei. Certezas só as tenho em relação às cores...







17 fevereiro 2013

As duas faces do caos de Jaipur

Jaipur não é só monumentos. É também, como qualquer cidade indiana, o caos. Mas um caos divertido. De camelos a passar em frente ao hotel logo de manhã. De bazares atrás de bazares nas ruas cobertas de cor-de-rosa da cidade velha. De macacos a roubar comida nos restaurantes. De cores sem fim em bancas que vendem de tudo. E de vacas com as quais nos cruzamos a qualquer momento...
A outra face do caos de Jaipur é a que causa stress. Como o não se conseguir atravessar uma estrada, entre veículos, pessoas e animais vindos de todos os lados; o que nos obriga a apanhar um tuk-tuk para fazer uma pequena distância; cujo motorista insiste que os sítios onde queremos ir não têm interesse nenhum e que só ele para nos levar a sítios muito mais interessantes; que não aceita um não como resposta e que chega ao cúmulo de parar para meter combustível e verificar os pneus para fazer tempo e poder argumentar mais um bocadinho; o que nos leva a respirar de alívio quando finalmente nos deixa no City Palace, o tal sítio para turistas sem interesse nenhum... Ou como o não se conseguir apanhar um táxi normal no hotel, por mais que se insista no pormenor do taxímetro, porque todo o staff está feito para nos obrigar a apanhar um táxi especial; cujo motorista insiste em sair do carro a cada paragem e acompanhar-nos como guia turístico; e que teima em levar-nos a um forte cuja principal atracção é um canhão vitoriano e no qual, claro, os guardas se prestam a levar-nos a ver qualquer coisa muito especial a um sinal dele; e que ao mesmo tempo teima em não nos levar a um forte com uma vista fabulosa sobre a cidade, dizendo qualquer coisa como "vista? qual vista?"; e que mesmo quando ameaçamos sair do carro se ele não nos levar de vez para a cidade velha, insiste em levar-nos a uma loja, em prol da comissão...










14 fevereiro 2013

De como se arranjam casamentos na Índia

Título enganador, não? Em dia dos namorados, já estava tudo aí a imaginar um romance indo-português, com elefantes pintados com suásticas e tudo, não??? Frustração de expectativas à parte, este post versa sobre a tradição dos casamentos arranjados na Índia!
Isto porque a maioria dos casamentos na maior democracia do mundo ainda é arranjada pelos pais dos noivos, como se faz desde há tempos imemoriais. Não é o caso do casamento a que eu fui. Nem é o caso de alguns dos meus colegas, a quem conheci as mulheres ou namoradas. Mas ainda é o caso de muitos dos meus colegas, que casaram num curto espaço de tempo a seguir ao MBA. E que continuam a casar, depois de serem apresentados às noivas pelas famílias de ambos.
Atenção, quando digo "ainda é o caso", não estou a fazer um julgamento de valor. Os casamentos indianos são arranjados com muito cuidado, levando em conta desde as castas aos horóscopos! E, verdade seja dita, a taxa de divórcios na Índia é a mais baixa do mundo!!! Mas não posso deixar de criticar a prática. Não pela falta de liberdade de escolha, que é comum para homens e mulheres; mas pelo facto de implicar o pagamento de um dote por parte dos pais da noiva, facto que tem sido determinante para a prática do chamado aborto selectivo, de fetos do sexo feminino. Mesmo sendo a prática do dote proibida por lei. É que é tão proibida tão proibida, que eu em Nottingham consegui saber os "preços" de muitos dos meus colegas...