05 fevereiro 2013

Jaipur monumental I

Conhecida como cidade rosa devido aos edifícios em tom rosa escuro da cidade velha,  Jaipur é considerada uma das cidades mais "arquitectónicas" da Índia.
O City Palace, no coração da cidade velha, é um complexo de jardins e palácios, cada um mais bonito do que o outro. O pátio interior do palácio principal, com 4 portas que representam as 4 estações do ano, pintadas com motivos vários, entre os quais os pavões e as suas caudas, é de fazer cair o queixo! Diga-se a propósito dos pavões, que embora não destronando o tigre, são um dos animais símbolo da Índia... Voltando ao City Palace, foi construído no século XVIII e foi durante anos a sede de governo dos marajás, sendo ainda hoje a residência oficial da antiga família real.
Ao lado do City Palace está uma das coisas mais curiosas que encontrei na Índia, o Jantar Mantar. Traduzindo à letra, quer dizer "instrumento de cálculo"; mas se traduzirmos livremente, quer dizer qualquer coisa como "abracadabra". É um conjunto de edifícios de observação astronómica, uma espécie de observatório astronómico em versão arquitectónica. E faz parte de um grupo de cinco que  o marajá Jai Singh II mandou construir no século XVIII em várias cidades indianas. O de Jaipur é o maior e melhor conservado, fazendo parte do Património Mundial da UNESCO. Vale a pena ler sobre o assunto aqui: http://whc.unesco.org/en/list/1338. E esperar por um post exclusivamente dedicado ao mesmo...
Ainda na cidade velha, o impressionante Hawa Mahal, um palácio de 5 pisos, mais ou menos piramidais, com fileiras e fileiras de pequenas janelas (953 no total!). Construído no final do século XVIII pelo marajá da altura, o seu objectivo era possibilitar às mulheres da casa real assistir às procissões e à restante vida da cidade. A ideia? Verem sem serem vistas... Pena foi as mulheres modernas de hoje não conseguirem ver bem o palácio, dado que chegaram quase à hora de fecho e foram corridas ao som de apitos. É que até quando se pode estar em silêncio, longe da confusão das ruas, os indianos arranjam forma de fazer barulho! Quem mais é que se ia lembrar de usar apitos para avisar os turistas que os edifícios vão fechar ao público???


Guardas do City Palace

Ou será que os guardas são os pombos?

Pormenor de um dos palácios 

Chandra Mahal, o palácio principal

Pormenor da varanda 

O pátio interior com as 4 portas

 Porta Noroeste, a Primavera

Porta Sudoeste, o Verão

Porta Sudeste, o Inverno

Porta Nordeste, o Outono

Espectáculo de marionetas

Mubarak Mahal, outro dos palácios 

Explicação de um dos edifícios astronómicos, só para abrir o apetite 

O tal Krantivrtta, que a mim me faz lembrar um astrolábio

Fachada do Hawa Mahal 

Vista lá de cima 

Uma das 953 janelas!

Outra fachada, já sem a luz do entardecer

03 fevereiro 2013

De como se consegue passar a noite de fim-de-ano no melhor hotel de Jaipur

Quando se vai para a Índia com uma companheira de viagem que fala pelos cotovelos e mete conversa com toda a gente, já se sabe com o que é que se conta. Ou não... Ir passar a noite de fim-de-ano no melhor hotel de Jaipur, o Rambagh Palace, antigo palácio de marajás, não fazia de todo parte dos meus planos!
Mas a tal companheira de viagem fez questão de passar pelo hotel ao fim da tarde, só para dar uma espreitadela. Chegadas ao dito, de rickshaw e roupas de mochileiras, fez o ar mais sério deste mundo e disse ao porteiro que íamos jantar. Fully booked, foi a resposta. Ao que ela respondeu, impassível e com o ar mais convicto deste mundo, que tínhamos reserva: estou na Índia com esta minha amiga e o meu marido reservou-nos mesa neste hotel, foi uma surpresa, eu nem sabia onde isto era! Qualquer coisa neste género...
Quem me conhece consegue imaginar a minha cara, vermelha que nem um tomate, capaz de me enfiar no primeiro buraco que encontrasse... Mas não é que o porteiro telefonou a alguém e confirmou que tínhamos reserva? Pois, para não correr o risco de ser um engano do hotel, provavelmente. Ou porque nós eramos brancas, segundo um dos meus colegas indianos. Fosse pelo que fosse, entrámos e podemos dizer que passámos a noite de fim-de-ano no Rambagh Palace Hotel, com direito a espectáculo e tudo!
Em boa verdade, jantámos no restaurante do jardim do hotel (provavelmente, e felizmente, o mais barato!), cá fora, numa noite fria. Mas passeámos pelo hotel todo, espreitámos o espectáculo de fim-de-ano, comemos bem e bebemos melhor, aquecidas por uma fogueira, e vimos o fogo de artifício! Valeu, miúda!!!


Rambagh Palace Hotel na noite de fim-de-ano

30 janeiro 2013

Rajastão

Depois da Índia "social" em Mumbai, com casamentos e reencontros, a Índia "turística" no norte do país, no chamado "triângulo dourado" (Nova Deli-Agra-Jaipur), com tudo aquilo a que os turistas têm direito, do melhor ao pior...
O Rajastão é um dos estados mais bonitos, e visitados, do país. Nesta região encontra-se desde a zona de selva onde ainda se podem ver tigres, à zona de deserto cuja principal atracção são as feiras de camelos. Pelo meio, muitos palácios e fortes, naquela que é chamada "the Land of Kings". Locais como Pushkar, a espiritual cidade dos peregrinos, Udaipur, a romântica cidade dos lagos, Jaisalmer, a cidade dourada, Jodhpur, a cidade azul, e Jaipur, a cidade rosa, fazem parte do imaginário dos marajás indianos.
Capital do Rajastão, habitada por cerca de 3 milhões de pessoas, Jaipur é uma cidade imperdível, mesmo com a confusão instalada no trânsito, como é aliás hábito em qualquer cidade indiana, e com a perseguição aos turistas, como é infelizmente também hábito em qualquer ponto turístico do país.
Com apenas 5 dias para fazer o "triângulo dourado", só deu mesmo para ir a Jaipur. Mas fiquei com pena de não ver mais do Rajastão. O Lonely Planet diz que Jaipur é a porta para o estado mais extravagante da Índia. Eu, pelo que me foi dado ver da cidade, diria que o Rajastão é, no mínimo, um estado inebriante...



27 janeiro 2013

De como os estrangeiros ainda são alvo de atenção na Índia

Aqui há muitos anos, entre 20 a 25, quando vivi em Macau com os meus pais, passava-se um fenómeno curioso sempre que íamos ao sul da China: para onde quer que fossemos, éramos "perseguidos" por dezenas de chineses que observavam com atenção tudo o que fazíamos, entre sonoras gargalhadas. Estranhámos ao princípio, mas acabámos por nos habituar. Digamos que era um fenómeno a que qualquer "kuai-lou" (diabo branco) estava sujeito quando ia à China, um país muito fechado sobre si próprio, com uma abertura ao estrangeiro muito recente naquela altura.
Daí que tenha estranhado um fenómeno semelhante na Índia dos nossos dias. Não estou a falar de dezenas de indianos a "perseguir-nos" (por acaso isso também acontece, mas é mais para nos vender alguma coisa, para nos levar a algum lado, para nos pedir alguns trocos, uma coisa que se torna exasperante a certa altura...), mas de vários indianos que pedem para tirar fotografias connosco. E eu surpreendidíssima, sempre a achar que o que eles queriam era que eu lhes tirasse uma fotografia a eles!
Aconteceu-nos em Mumbai, onde nos puseram uma criança nos braços. Na Elephanta Island, uma família inteira. Em Jaipur, grupos e grupos de rapazes novos. Em Agra, em pleno Taj Mahal. Em Nova Deli, onde já entravamos no esquema dizendo com um sorriso: "photo? give me money!". Fora de brincadeiras, achei estranho.
Em conversa com um dos meus colegas indianos, que se riu a bom rir quando lhe contei e que me disse que isso acontecia antigamente, chegámos à conclusão que os dias que lá passei (por alturas do ano novo) são dias de grande movimento a nível de turismo interno. Ou seja, muitos indianos de zonas rurais e remotas, menos habituados a estrangeiros, a andar de um lado para o outro. Aceito a possível explicação. Mas não deixo de estranhar...



26 janeiro 2013

De como hoje se festeja o dia da República na Índia

26 de Janeiro, dia da República da Índia. A constituição da República foi proclamada neste dia em 1950, depois de a 15 de Agosto de 1947 ter sido declarada a independência do Reino Unido, e partida a Índia Britânica em duas, a Índia hindu e o Paquistão muçulmano (uma segunda partição, desta vez do Paquistão, que resultou no também muçulmano Bangladesh, aconteceria mais tarde, em 1971).
Ainda hoje o vasto território que é a Índia, com uma maioria hindu (80% da população), mas cerca de 13% de muçulmanos (mais 2% de cristãos, concentrados no sul, e 2% de sikhs, concentrados no norte), se ressente de uma partição polémica, com conflitos latentes, principalmente no norte do país, entre os quais se destaca o que diz respeito à região de Caxemira.
O estado indiano de Jammu e Caxemira tem uma população maioritariamente muçulmana (cerca de 67% contra 30% de hindus), estando a chamada região de Caxemira dividida entre a Índia, o Paquistão e, mais recentemente, a China. Já para não falar das recentes pretensões independentistas! De facto, algo mais deve haver do que a famosa lã das cabras nativas da região...


23 janeiro 2013

Elephanta Island

O Lonely Planet já não é o que era! Mas o que é que se terá passado para que esta fã incondicional diga semelhante coisa, perguntam vocês? Então não é que me manda para a Elephanta Island, alardeando os templos esculpidos da ilha como "some of the most impressive temple carving in all of India"! Mais, alardeando a "tranquilidade" da ilha!!! Que o Lonely Planet não adivinhasse que eu ia lá num domingo e que a ilha é usada pelos locais para piqueniques, ainda vá que não vá. Agora que não fale no caminho de acesso às cavernas, para lá de 1 quilómetro de bancas para turistas dos dois lados, e no estado de degradação das estátuas, apesar de Património Mundial da UNESCO, é imperdoável...
Enfim, ataques de fúria à parte, não se perdeu a tarde. A Elephanta Island, assim chamada pelos portugueses quando lá chegaram e encontraram uma estátua em forma de elefante, é uma pequena ilha no meio do porto de Mumbai, conhecida pelo conjunto de templos esculpidos em cavernas, pensa-se que datados de 450 A.C. a 750 A.C.
Vale pelo passeio de barco, muito bonito e com uma bela vista sobre Mumbai. Vale pela atracagem na ilha, onde sair ou entrar no barco implica passar por vários barcos (incapaz de explicar melhor, vejam a foto abaixo!). Vale pelo pequeno comboio que faz uma parte do caminho até às cavernas, um cheirinho do que pode ser andar de comboio na Índia (apanhado em andamento e tudo ao molho e fé em Deus!). E vale pela fauna, desde os macacos às aves de rapina, passando pelas vacas, como não podia deixar de ser.
Já o conjunto de templos esculpidos deixa um pouco a desejar, na medida em que se espera mais, conservação e informação, de um local Património Mundial da UNESCO. Do ataque aos turistas é melhor nem falar! No que toca à enchente de locais, para fazer piqueniques ou visitar a ilha, é mais pela minha embirração com multidões, porque até podia ser um momento de observação sociológica...


Barco para a ilha

Passagem por 4 barcos para chegar à ilha! 

 O comboio a chegar

E o comboio a partir 

 Uma ave de rapina

E um macaco comilão 

Visit again? Logo se vê...

Uma das estátuas (são grandes sim!)

O "inesquecível" caminho de acesso às cavernas!

Tranquilidade na ilha...

 Casas coloridas da ilha

E esta é só mesmo porque gosto dela, apesar da mórbida corda...

20 janeiro 2013

Mumbai de rua

Mas Mumbai não é só os edifícios coloniais, mesmo quando a visita fica limitada ao centro da cidade. Mumbai é, como qualquer outra cidade indiana, um melting pot de cheiros, cores e sabores.
É os sabores das comidas e bebidas de rua, desde a água de cana de açúcar ao chá de gengibre a ferver. Passando pelo panipuri, tradução literal "pão com água", um pequeno pão frito cujo recheio pode ir desde o simples caldo de água aos cremes de batata e grão-de-bico, temperados com pimenta e toda a sorte de especiarias; e pelo viciante  kulfi, uma espécie de gelado de leite, com sabores que vão do caju ao pistácio, do cardamomo ao açafrão.
É as cores das bancas que vendem de tudo, desde frutas de todas as cores e feitios, a leques feitos de caudas de pavão. Dos saris a secar nas varandas, que nos fazem andar de cabeça no ar o tempo todo. Dos táxis, modelos antigos a fazer lembrar Cuba, mas principalmente dos autocarros e camiões. Das carroças de metal engalanadas para os passeios domingueiros das famílias de classe média com aspirações (segundo me explicaram, quando o meu queixo caiu a ver passar uma...).
É os cheiros, indefinidos mas intensos. Das comidas e bebidas de rua, dos escapes de todo o tipo de viaturas, das pessoas e animais, do lixo. Embora o lixo, omnipresente nas cidades indianas, não se sinta tanto em Mumbai (ou nas zonas de Mumbai por onde andei...).
E foi, sobretudo, para mim, a oportunidade de ver a Mumbai indiana, ao ficar e fazer refeições em casas indianas. Estar numa festa de véspera de casamento, em que se juntam família e amigos para comer e dançar, ou almoçar em casa de um colega cujos pais são hindus praticantes e ouvir a explicação de como funciona o altar e as rezas e oferendas aos deuses, foram experiências únicas. Das coisas boas que o MBA me deixou...


Bananas com fartura! 

Frutas de todas as cores e feitios

Saris a secar nas varandas

Táxi em modelo cubano 

Autocarro militar, tão colorido como os outros

 Carroça de metal para passeios domingueiros

Cabras e ovelhas, com pastor ao telemóvel

Banca da Xerox?