16 janeiro 2013

Bombaim ou Mumbai?

Bombaim em português, Bombay em inglês. Ambas corruptelas de Mumbai, nome original da cidade, provavelmente com origem no templo à deusa Mumbadevi, um dos mais antigos da ilha, segundo me explicou o pai da minha amiga Priyanka. Há também quem diga que são corruptelas sim, mas da expressão portuguesa Boa Baía, dado que foram os portugueses os primeiros ocidentais a lá chegar. Em tempos de depressão nacional, fiquem com a versão que preferem…
Com cerca de 12 milhões de habitantes (21 milhões na área metropolitana), Mumbai é a capital económica do país. E com um dos maiores portos do mundo, à beira do oceano Índico, a cidade é também a capital mundial do cinema. Mundial sim! Ou não produzisse Bollywood quase o dobro dos filmes produzidos em Hollywood!!!
Apesar do caos, típico de qualquer cidade indiana, da omnipresença dos bairros pobres (conhecidos por slums), os maiores do país e nos quais vivem perto de 9 milhões de pessoas, e dos ainda tão presentes atentados terroristas, ocorridos em Julho de 2011, Mumbai foi a cidade onde me senti mais segura nesta viagem à Índia.
Pela cidade em si, que está hoje muito diferente do que era há 20 anos atrás quando lá fui em viagem a Goa e vi corpos na rua? Ou pelas outras cidades que visitei, Jaipur e Agra, muito menos cosmopolitas, e Nova Deli, nada amigável para as mulheres nos tempos que correm? Vá-se lá saber! Mas voltava para a conhecer melhor…

13 janeiro 2013

Casamento

Um casamento indiano, nomeadamente um casamento hindu, também é uma experiência inolvidável. Principal motivo da minha viagem à Índia, o casamento entre dois colegas do MBA em Nottingham, Pravin e Priyanka, fica na minha memória como uma das cerimónias mais giras a que já assisti. Sim, porque um casamento hindu é uma cerimónia a que se assiste. Acontece num palco, para o qual está virada uma plateia. No palco estão os noivos, os oficiantes e demais participantes nos rituais, tipo os pais e irmãos dos noivos. E na plateia estão os convidados, a assistir.
Mas não pensem que os convidados assistem em silêncio! Entre pessoas sentadas e pessoas em pé, toda a gente circula, seja para entrar ou sair, para tirar fotografias, para correr atrás de crianças, para atender telemóveis, etc. Verdade seja dita que a cerimónia dura entre 3 a 4 horas. E tem vários rituais, que se vão sucedendo. Para referir alguns, fios a ligar os noivos, 7 passos por 7 promessas que os noivos fazem, e o momento apoteótico em que os noivos trocam coroas de flores. É nesta altura que os convidados lançam arroz aos noivos, coisa que nos é familiar. Mas para perceber os rituais, o melhor é espreitar o seguinte link:
http://casamentos.sapo.pt/Artigo/Casamento/Cerimonia/1/Casamento-Hindu-904387.aspx
Giro giro é que o momento da comida, seja ela pequeno-almoço ou almoço, não é de todo importante. Acabado o tal momento apoteótico, 1 horita de almoço é suficiente. Sem os noivos, que entretanto foram mudar de roupa. Aliás, a mudança de roupa é uma constante, entre noivos e pais de noivos, numa sucessão de saris cada um mais bonito do que o outro, no caso das mulheres. Voltando ao almoço... E nada cá de lugares sentados, que isso é só para os mais velhos! Ah, e nada de álcool!!! Água fresquinha, que é o que se quer quando a comida é picante!
Depois é cumprimentar os noivos, que entretanto já voltaram, e posar para as fotografias. E ala que se faz tarde! Os homens tiram os turbantes que são obrigados a usar durante a cerimónia e as mulheres levam para casa a pinta na testa. E se forem próximas da noiva, as pinturas de hena que entretanto fizeram nas mãos...





12 janeiro 2013

Chegada

Chegar à Índia, nomeadamente a uma grande cidade indiana, tipo Mumbai (Bombaim, de antigo nome), é uma experiência inolvidável. Até para mim, que já vivi na Ásia e em África, pode ser traumatizante entrar no trânsito indiano. Entre autocarros, carros, motas, autorickshaws (também conhecidos como tuk-tuk), rickshaws, pessoas e animais, nas estradas indianas reina o caos.
Cada um anda na direcção que quer, independentemente dos sentidos. O que quer dizer que é preciso um coração forte quando se olha para os lados, mais até do que quando se olha em frente!!! E todos se metem em qualquer espacinho livre, independentemente das faixas definidas. De facto, se cabem seis veículos numa estrada com três faixas, porque é que lá hão-de estar três em vez de seis???
Por último, e o mais stressante de tudo, todos parecem funcionar a buzina como combustível. Pode parecer inverosímil, mas a sensação que se tem é que sem buzinas, tudo parava. O barulho é ensurdecedor e ao fim de uns minutos mexe-nos com os nervos (os nossos, não os deles!). Daí que sinais como o da fotografia abaixo, mais não sejam do que uma prova da imprevisível Índia…



10 janeiro 2013

Namaste

Imaginem um país com mais de 1.200 milhões de pessoas, o 2º mais populoso do mundo. O 1º como país democrático, simplesmente a maior democracia do mundo. Dividido por 28 estados, entre os quais o estado de Karnataca, cuja capital é Bangalore (Bengaluru, de novo nome), rival de Silicon Valley a nível de I&D na área das tecnologias de informação. Um país com um crescimento económico na ordem dos 5%, que faz dele a 10ª economia do mundo. E que tem como figura de referência Mahatma Gandhi, o defensor do princípio da não-agressão.
Imaginem um país em que cerca de 420 milhões de pessoas vivem na pobreza, mais do que nos 26 países africanos mais pobres em conjunto. No qual o índice de desigualdade duplicou nas duas últimas décadas, fazendo com que actualmente os 20% mais ricos detenham cerca de 42% dos recursos e os 20% mais pobres apenas 9%. Um país em cuja capital, Nova Deli, segundo notícias recentes, uma mulher é violada a cada 18 horas.
Esse país é a Índia. A incrível Índia, como lhe chama o turismo indiano. Eu chamo-lhe a imprevisível Índia…



22 junho 2012

Viajar, perder países...

Este post era para ser no dia 13 de Junho, mas despistei-me com a ida para Berlim no dia seguinte...

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E da ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa. Sem título, 20-9-1933

31 maio 2012

Castela e Leão

De regresso a Portugal, paragem para dormir em Tordesillas. Não que a cidade tenha alguma coisa para ver, não tem. Não se vê aliás uma única referência ao tratado, por incrível que pareça…
De Tordesillas para Salamanca, onde mais do que chuva foi granizo que caiu! Resultado, nem do carro se saiu!!! Uma pena, porque se bem me lembro de Salamanca, é uma cidade a (re)visitar.
Para compensar, céu azul e sol em Ciudad Rodrigo, uma pequena cidade na fronteira com Portugal onde vale a pena parar mais do que o tempo suficiente para atestar o carro de combustível. A pracinha principal é encantadora e há uma série de pontos de interesse para visitar.
E assim terminou mais uma road trip por Espanha. Há poucas coisas que me deixem tão bem disposta como pegar no carro e fazer uns quantos quilómetros em terras de nuestros hermanos. Fico sempre com a sensação de que ficou muito por ver. E com vontade de voltar…


Vista de Tordesillas 

Ciudad Rodrigo

25 maio 2012

Cantábria

Cantábria de passagem e com chuva. Primeiro Castro Urdialles, uma pequena cidade costeira, encantadora. Depois Santander, a capital da região, merecedora de visita com tempo mais convidativo à descoberta da cidade. Para compensar a desolação da grande marginal debaixo de chuva torrencial, a melhor refeição da viagem, num pequeno restaurante perto do mercado. Mas e agora descobrir a caixa de medicamentos onde anotei o nome do dito?
Por último, as famosas grutas de Altamira, onde comprar bilhete no próprio dia não é garantia de entrada na réplica de uma das grutas (as grutas originais estão fechadas há já 10 anos, para preservar as pinturas). Mas só o museu já vale a pena ver, bastante informativo e bem organizado. Ficou por ver Santillana del Mar, uma das atracções turísticas da região, conhecida como a vila das 3 mentiras: não é plana, não está à beira-mar e quanto a ser santa...


Castro Urdialles 

Mercado de Santander