26 abril 2007

Viagens fora do prazo: Beiras

Outra das viagens que ficou pelo caminho foi por alturas do Carnaval, rumo às aldeias históricas. Caso não saibam, o roteiro das aldeias históricas anda ali pelas Beiras e mete 12 aldeias: Almeida, Belmonte, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piodão, Sortelha e Trancoso. Umas mais conhecidas do que outras, mas todas do tempo em que o D. Afonso Henriques ainda andava a “fazer” Portugal. Aproveitando as origens da mãe (da minha, não da do D. Afonso Henriques!) e uma casa perto de Mangualde, aí fui eu, bem acompanhada como de costume, a caminho de três destas aldeias. Não é que não desse para fazer mais, dava, a ideia até era fazer seis, mas a viagem começou com um furo em Vila Franca de Xira e, consequentemente, com a tomada de consciência de que o programa não ia ser cumprido. Assim, ficaram vistas Belmonte, Sortelha e Linhares da Beira.
Belmonte não é propriamente uma aldeia, tem aliás uma “cintura residencial” bastante grande, mas o centro histórico lá está, entre estátuas do Pedro Álvares Cabral e sinagogas ainda operacionais. Já Sortelha é um mimo, uma aldeia entre muralhas que ganha uma cor especial ao fim da tarde. Mas, não há bela sem senão, parece que está ali só para turista ver. Quer dizer, não tem “cintura residencial”, mas também não tem vida própria. Uma mistura destas duas é Linhares da Beira, aldeia não tão bonita como Sortelha mas na qual vive gente (crianças!), tal como em Belmonte; e que tem uma calçada romana que, embora não seja fácil de encontrar, vale a pena procurar.
Opiniões pessoais à parte, valem todas a visita. E nunca, mas nunca, deixem de ir à Carrapichana se andarem por aqueles lados! Porquê? Porque tem um dos melhores restaurantes do país, o Escorropicha’Ana! Não vou falar dos queijos e dos enchidos, das migas de bacalhau na telha e das costeletas de veado com couve, nem sequer das sobremesas, vou só dizer a quem não sabe, que escorropichar, segundo o dicionário, é beber até à última gota...


Belmonte

Sortelha

Linhares da Beira

Vista da Serra da Estrela

24 abril 2007

Viagens fora do prazo: Alentejo

À conta da minha falta de assiduidade por aqui, houve umas quantas viagens que ficaram para trás. Uma delas foi uma volta pela zona de Vila Viçosa (a sério? Alentejo? quem diria?) há quase três meses atrás.
Eu já andava para ir ver o Paço Ducal há uns tempos. E, de facto, vale a pena. Está bem conservado e tem uma visita guiada com um senhor que sabe da história daquilo que nem gente grande. E que não tira os olhos de nós. Porquê? Porque parece que o pessoal gosta de trazer recordações do palácio. Verdade! Eu também não queria acreditar... Tudo porque eu comentei que o Rei tinha uma cama igual à minha (a minha foi herdada de bisavós alentejanos) e que, tal como à minha, também lhe faltavam umas peças. Enfim... Mas o que vale mesmo a pena no palácio, mais ainda do que os móveis, as porcelanas e os cristais, é o apoteótico final da visita na cozinha! Aquilo sim, era uma cozinha!!!
Para além do Paço Ducal, Vila Viçosa é uma terra simpática, tal como o Alandroal e o Redondo (Borba é mais vinho...). Mas giro, giro é Juromenha, terra de memórias contrabandistas à beira do Guadiana. Apesar do abandono (um castelo em ruínas e pouco mais de uma centena de habitantes), é uma agradável surpresa. Especialmente a vista do castelo para o rio. A boa notícia é que, segundo li algures, o castelo vai ser recuperado. A não perder, o Santuário de Nossa Senhora da Assunção da Boa Nova, em Terena. Uma igreja-fortaleza com uns frescos dos reis da 1ª dinastia de ir às lágrimas. E, com sorte, com cegonhas nas ameias...
Por último, e como não podia deixar de ser, se forem para estas bandas, não deixem de parar, ao almoço ou ao jantar, na Bolota Castanha, na Terrugem, para comer o que quer que seja que soe a especialidade alentejana!


Vila Viçosa

A vista do castelo de Juromenha

Santuário de Nossa Senhora da Assunção da Boa Nova

Uma caixa de correio no Alentejo

15 abril 2007

Primavera no Alentejo

Quatro horas de caminhada em Santa Susana, terra de nome bonito na zona de Alcácer do Sal. Escaldão no nariz e dores nas pernas à parte, vale sempre a pena ir ao Alentejo. Na Primavera principalmente...

05 março 2007

Todo-o-terreno em Montemor-o-Novo

Só para dizer que na zona de Montemor-o-Novo se faz um todo-o-terreno à maneira, como a foto abaixo pode comprovar (as fotos de quando o meu Discovery atolou e foi desatolado por um Defender belga não são divulgáveis!). Acompanhado por uma açorda de bacalhau e um borreguinho assado dignos de registo, como não podia deixar de ser... :-)

10 fevereiro 2007

Antes do Brasil, Espanha (III)

Toledo, mais uma cidade onde não é aconselhável entrar no centro de carro, nomeadamente de jipe. Embora até o stress das ruas estreitas passe despercebido ao pé da luz de fim de tarde nos edifícios ocre da cidade. Vale a pena chegar a Toledo com o sol rasteiro. A sério! A Catedral, já de si imponente, fica qualquer coisa de espectacular. E o resto da cidade ganha um encanto que eu já não lhe vi no dia seguinte. Não porque não seja uma cidade bonita. É. Labiríntica quanto baste. Ideal para passear quilómetros e quilómetros por ruas desertas à noite até perceber que sem mapa não há regresso possível... Mas não tem o encanto de Cuenca. E não é o paladar a falar! Toledo é a capital do mazapán, coisa doce que eu, que não sou moça dada a doces, adorei. Para além de ser digno de registo o restaurante La Abadía, onde quase fomos às lágrimas com um presunto com azeite, orégãos e amendoins, seguido de uma alcachofra com bacalhau muito fora do vulgar. E para acabar com o tema comida, se forem a Toledo não deixem de trazer um queijo manchego, que a zona é dele e duvido que haja melhor. Mas não vão às lojas do centro! Vão ao mercado central, ali ao pé da Plaza Mayor (a primeira Plaza Mayor que eu vi sem dimensão e, consequentemente, sem projecção) e comprem na primeira banca de queijos e enchidos que vos aparecer à direita. Se estiver lá um senhor simpático, perguntem. Vão ver que ficam a saber tudo sobre queijos espanhóis...
Uma dica, visitem a Casa Victor Macho. Fez esculturas por toda a América Latina, nomeadamente no Perú, onde viveu muitos anos. E as esculturas dele são bem mais giras do que os quadros com motivos religiosos do famoso El Greco. Opinião pessoal de ateia, claro! Por último, aproveitem para tirar fotografias com os D. Quixotes espalhados pela cidade, de toda a forma e feitio. É preciso é levar os olhos bem abertos para dar com eles...


A Catedral

A tal luz de fim de tarde

E vista de Toledo

05 fevereiro 2007

Interregno alentejano

Não resisto a um pequeno interregno alentejano, antes do "Antes do Brasil, Espanha (III)"...

Alandroal, Alentejo profundo

30 janeiro 2007

Antes do Brasil, Espanha (II)

Chegada a Madrid no dia 30 de Dezembro, dia de fim de trégua com a ETA, materializado num atentado à bomba de uma dimensão sem justificação. Mas os espanhóis, e muito bem, não se deixam afectar pela ETA! Para mal dos meus pecados, que estava a contar com uma entrada pacífica na cidade, típica de um fim de tarde de um sábado pós-natalício. Pois… Acontece que as prendas em Espanha só se dão no dia de reis! Ou seja, escolhi o sábado que equivale ao último sábado antes do Natal em Portugal!!! Foi o caos! Chegar à zona do hotel foi um feito. Estacionar num dos parques públicos foi uma aventura: quando finalmente a luz verde acendeu, o segundo sinal com a altura (1,90m) entrou em contradição com o primeiro (2,00m) e o meu jipe de 1,96m ficou sem saber o que fazer. Lá sai tudo do carro, “não estou a acreditar que tenho que subir a rampa em marcha-atrás”, vem o guarda do parque, “vá lá, na fila de carros que se formou atrás ninguém buzina”, o guarda não faz ideia de qual dos sinais é que está certo, “no hay problema, pasa”. Devagarinho… Passou!!!
Mas se as ruas estavam cheias de carros, estavam ainda mais cheias de gente. De malas às costas aos encontrões até ao hotel, para nos recambiarem para outro hotel da mesma cadeia, mas na Porta do Sol. Que bom, exactamente onde não queríamos ficar porque queríamos dormir alguma coisita, por pouco que fosse, na noite de ano novo... Mais uns encontrões, uma absoluta perplexidade em relação à quantidade de gente nas ruas e, finalmente, a chegada ao hotel. Mas a perplexidade à séria ainda estava para vir… Depois do jantar, já próximo do hotel e da meia-noite, milhares de pessoas nas ruas a festejar com champanhe e uvas. Alô? Hoje é dia 30, certo? Ou será que caímos nalgum buraco do tempo em Cuenca e não demos por nada??? Por momentos, a dúvida… Hoje é dia 30, não é? Salvas pela recepcionista do hotel com a sua explicação sobre o ensaio das campanadas (que é como quem diz badaladas). Está provado, a fama de "amigos de fiesta" dos espanhóis tem proveito…
Na verdadeira noite de ano novo, uns enchidinhos com um pãozinho cedido pela mesa do lado, acompanhados dum tinto de verano, tudo muito sofrido já perto da meia-noite. Que foi passada com vista para o relógio da Porta do Sol, no meio da maior confusão, entre champanhe e uvas, com muitas cabeleiras à mistura (mais uma novidade espanhola, cabeleiras para todos os gostos na passagem de ano…). Mas, curiosamente, com pouca festa. Um fogo de artifício de não mais de cinco minutos, sem concerto, e com debandada geral pouco depois. Por causa do atentado da ETA? Ni idea.
Para além das aventuras, não há muito mais a dizer sobre Madrid. Roteiros turísticos não se fazem no último fim-de-semana do ano, com tudo fechado. O que se faz é passear, muito, por ruas e ruas, para sentir Madrid. Sim, porque Madrid é uma cidade que se sente! Eu, pessoalmente, gosto muito. É de um cosmopolitismo que a minha querida Lisboa ainda está longe de alcançar. E é uma cidade muito simpática. Nomeadamente à noite, com copas e tapas, porta sim, porta sim! Embora, verdade seja dita, com os anos a aumentar e os graus a diminuir, o que sabe bem, mas mesmo, mesmo bem, é um chocolate quente!!!
Por último, à despedida de Madrid, numa saída bem mais sossegada do que a entrada, passagem pelo Vale dos Caídos, monumento de inspiração franquista em homenagem aos mortos da Guerra Civil, cuja visão da estrada, ao longe, é mais do que suficiente. Já o Escorial, complexo com mosteiro, palácio e outras coisas mais, merece uma visita. Que fica para a próxima, quando o dia não for o primeiro do ano…


Eu não disse? Chocolate quente em vez de copas!